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O homem que não sabia escrever!

Uma vez quando eu saía de uma longa viagem com meu corola que precisava de manutenção, encontrei pelo caminho, um homem trajado de uma maneira nada convencional. Presumi que tivera andado, pelo menos, 2 kilometros á pé e decidi dar-lhe uma boleia. Acompanhei os passos dele com uma velocidade reduzida e vi o homem, apesar das roupas não espelharem nenhum tipo de conhecimento cientifico, carregava uma pilha de livros velhos entre os braços. Admirei ver alguém naquela localidade, isolada do país, sem biblioteca nem livraria, a carregar um monte de livros antigos e de edições raras.

- Boa tarde senhor! - Cumprimentei afim de conquistar a sua atenção e começar um lindo diálogo e amigável.

Lentamente virou a cabeça como um homem com pescoço deslocado que precisa ter cuidado nos movimentos da cabeça. Os olhos dele demostravam cansaço, na verdade, só mostrava o que seus corpo espelhava no andamento mesmo ao longe. Sem dizer nenhuma palavra e sem reduzir os passos, meteu os olhos atentos na estrada como um automobilista que não conhece a via em que passava.

- Senhor, boa tarde! - repeti com a voz mais alta do que a primeira vez.

Achei que era surdo e que somente olhou-me, a primeira vez, porque sentiu o aproximar de um corpo. O homem continuou sem demostrar nenhum interesse.
Acelerei passando na frente dele. Quando fiquei a cinco minutos adiantado, encostei o carrinho e saí. Olhava, atentamente, ao senhor que aparenta ter entre 50 à 60 anos de idade. Reparei nos seus passos equibrado pelo peso dos livros que transportava, nas barbas que, achei não vê lamina de barbear por, pelo menos, 9 meses. Na roupa que fazia ele parecer mais magro do que é, e por fim, reparei nos livros que carregava. «De onde tirou esses livros?»,«pra onde vai com esses livros?» pensava comigo mesmo.

O homem passava-me como se eu fosse uma árvore sem importância à beira da estrada. Reparei que nem se quer se deu o trablho de demostrar um pouco de respeito por mim ou de demostrar as boas maneiras básica, cumprimentar quem quer que seja, onde quer que esteja.

- O Senhor não quer uma carona? - Perguntei enquanto segui os seus passos, estando lado a lado com ele. - Eu posso leva-lo onde quiser! - ofereci-me afim de atraí-lo. Na verdade o meu grande interesse estava nos livros que carregava.
Ao ouvir que podia levo-lo onde quisesse, parou e olhou-me com um olhar desconfiado. Parou. Como uma criança que recebeu ordem do pai, sem dizer nada dirigiu-se ao carro. Abriu a porta e pousou os livros no banco de trás. Entrou e sentou-se. Fiquei ali parado a observar o que ele fazia, na verdade esperava ouvir a voz dele ou agradecer ou dizer para onde ia, mas nada disse.
Dirigi-me ao carro. Pus a chave na ignição e girei a primeira vez, o carro não pegou. Tentei a segunda, nada. A terceira, nada. Fiquei preocupado e olhava ao homem nas três vez, ele estava nem ai, notei no seu olhar que só queria chegar. Tentei a quarta e, finalmente, pegou. «É isso ai!» falei alto batendo as mão no volante em gesto de satisfação.

Andamos dez minutos e o homem continuava mudo. Senti a necessidade de perguntar:

- Senhor, onde posso leva-lo? - tomei cuidado nas palavras quando vi nos seus livros uma gramática de língua portuguesa antiga, da era colonial. Comecei a controlar as palavras porque achei que estivesse diante de alguém que tem um domínio avançado da língua.

- Continua em frente. - foram as palvras que o homem pronunciou pela primeira vez, desde o momento que nos encontramos. A sua postura continuava indiferente.

Alegrei-me por conseguir roubar dele três palavras. A voz dele não foi como eu esperava. Uma voz aguda e que, realmente, combina com as barbas mas não com as roupas. Era uma voz de mais velho pouco instruido mas com bastante expriência da vida. Por momentos achei que fosse soba, mas nunca cheguei de saber se era mesmo ou não.

- O senhor ficará naquela loja? - Apontei para frente onde se encontrava uma loja que parecia ser a unica num espaço de 5 kilometros quadrados. As paredes apresentavam uma cor azul da policia que, por momentos, achei que fosse um posto de controle da policia. Mas saía candengues com sacos de compras.

- Não! - disse sem acrescentar mais nada.

Percebi que estava diante de um homem de poucas palavras. Martelei na minha mente diversas maneiras de conseguir fazer ele falar à-vontade por todo caminho, mais não encontrava nenhuma. Olhei para trás, nos livros, e veio-me a idéia de que tal falar sobre os livros que carregava. «Talvez ele fale. Talvez não fale até chegar onde quer chegar!» pensei. Mas, vale a pena tentar.

- O senhor já leu todos estes livros?

Ele olhou para os livros e olhou para mim. Pareceu-me procurar palavras para começar a falar, olhou para frente e perguntou-me:

- Você gosta de ler?

- Sim, gosto. - Respondi sem hesitar. Demostrei meu interesse em conversa que balancei o corpo como sinal verde para falar mais.

- São livros do meu filho! - respondeu o homem que a princípio parecia mudo.

- Quantos anos tem o seu filho? - perguntei, querendo prolongar a conversa enquanto não chegava no destino dele.

- 26 anos. É escritor. - Falava do filho com satisfação do que filho se tornou. Sentia-se um pai que compriu com seu papel de dar educação e formação aos filhos e torná-los alguém na sociedade.

- O senhor já pensou em escrever, como o seu filho? - perguntei com um sorriso escondido entre os lábios que morria de vontade de tomar umas cervejas gelada.

- Não. - Respondeu com a voz um pouco um pouco envergonhada. Como se eu perguntasse uma coisa proibida de se falar naquela localidade ou que fosse uma coisa de que ele os motivos lhe deixassem envergonhado.

- Porque não, Senhor? - Perguntei curioso sem se importar com o que lhe envergonhava de falar.

Numa postura triste e com uma expressão de vergonha no rosto. Abriu a boca sem emitir nenhum som. Parou no meio de um monólogo e ficava cada vez mais inseguro nas palavras, até que decidiu não responder.

Ficamos cinco minutos sem dizer palavras nenhumas, nos contentamos com o barulho da minha lata velha e do som das rodas a rasgar o chão de terra vermelha abatida daquela localidade. Passamos a loja e três minutos depois o senhor abriu a boca para dizer:

- Fico ali, naquele pau de manga!

- Esta bem.

Encostei o carro na sombra da mangueira. Abriu a porta, baixou o banco, retirou os livros no banco de trás e bateu a porta. Ia-se embora sem, nem se quer dizer "Obrigado pela carona". Fiquei a olhar, como quem estivesse a espera de alguma coisa, o senhor em passos lentos. Sete passos depois, parou. Como alguém que esqueceu algo, virou-se e voltava os sete passos. Chegou até a porta, baixou-se até a janela com o vidro ao meio e disse-me:

- Não sei escrever. Obrigado pela boleia! - revelou-me o que lhe envergonhava e agradeceu. Virou-se e refez os passos.

Fiquei a observar o homem que carregava livros mas não sabia escrever, desaparecendo entre os capins altos da localidade. Liguei o carro, dessa vez sem demorar pegar, e continuei com meu caminho de volta à Luanda.

*** FIM ***

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